Março. Momento de reinícios, retomadas, realinhamentos, momento de convidar e afetar a comunidade para o trabalho coletivo. Cabe, assim, retomar o conceito de PPP e as repercussões no trabalho de concretização curricular, pensando num continuum que nasce da avaliação bem-feita, do planejamento e avaliação de ações com os atores esclarecidos acerca do processo democrático de ensinar e emancipar consciências.
O prof. Vitor Paro (2007, p.34) deixa clara a função social da escolanum contexto democrático e a sintetiza em dupla dimensão: individual e social.A primeira exige a assunção do homem como sujeito (autor, portador autônomo de vontade), a segunda assume a necessidade de convivência livre (entendendo a liberdade como construção histórica) entre sujeitos individuais e coletivos. A qualidade da educaçãooferecida deve referir-se à formação da personalidade do educando em sua integralidade, não apenas à aquisição de conhecimentos em seu sentido tradicional (ler, escrever, fazer contas, ser eficaz, produtivo e preparado para o trabalho). A formação integralenvolve outros aspectos para a formação dos sujeitos, sendo a escola um espaço social de convivência e identidade, incluindo a forma democrática de ensinar e educar personalidades democráticas, entendida aqui como um conteúdo essencial da educação.
O ser humano se apropria da cultura por meio da educação e se transforma num ser histórico, educado, e nos perguntamos: Quais seriam os desafios educacionais atuais? Certamente, sejam quais forem, exigirão de nós um esforço coletivo.
O que é o Projeto Político-pedagógico?
O projeto político-pedagógico pode ser comparado, de forma análoga, a uma árvore, ou seja, plantamos uma semente que brota, cria e fortalece suas raízes, produz sombra, flores e frutos que dão origem a outras árvores, frutos… Mas, para mantê-la viva, não basta regá-la, adubá-la e podá-la apenas uma vez.
Libâneo (2004, p. 152)
PPP é um documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expressando as exigências legais do sistema educacional, bem como as necessidades, propósitos e expectativas da comunidade escolar. Revela os modos de pensar e agir dos atores que participam da sua elaboração, expressa a cultura da escola e, ao mesmo tempo, contribui para transformá-la.
Características fundamentais do projeto político-pedagógico
1. Considerar o que já está instituído (legislação, currículos, métodos, conteúdos, clima organizacional, etc.);
2. Ao mesmo tempo, instituir, estabelecer e criar objetivos, procedimentos, instrumentos, modos de agir, estruturas, hábitos e valores, ressignificando a própria cultura escolar.
Seria importante a escola realizar um processo que permitisse ao corpo técnico-pedagógico e aos professores e educadores discutirem e avaliarem o trabalho da escola em função do aprimoramento do projeto político-pedagógico e da qualidade do ensino, do educar e cuidar.
Elvira Souza Lima (2016, p. 28-35) nos fala da criança como ser da cultura, que desde muito pequena se apropria da cultura existente em seus contextos de desenvolvimento. Ela se forma, assim, como um ser da cultura, aprendendo os fatos culturais da alimentação, vestuário, uso de utensílios, etc., cuidados com o próprio corpo condutores da autonomia e autoestima. Em todo o processo, a criança precisa da experiência, precisa ela mesma realizar a ação. Toda experiência é vivência do corpo no espaço, exercício da função simbólica e apropriação de comportamentos culturais. Participar de um espaço comum de comunicação e trocas de significados é importante em qualquer idade, principalmente quando criança.
É preciso considerar quando falamos de crianças pequenas, que a prioridade é de atividades que desenvolvam a função simbólica que garanta a apropriação dos fazeres simbólicos da espécie, como a linguagem, a música, as artes visuais, brincadeiras, celebrações, não só o resultado da aprendizagem e desenvolvimento dos educandos, ou o cumprimento de metas estabelecidas.
É necessário observar o conjunto de fatores que influenciam os processos de aprendizagem e desenvolvimento na unidade escolar. Nesse sentido, deve-se levar em consideração no processo de avaliação da escola os elementos que determinam a qualidade dos serviços educacionais e as questões estruturais da unidade escolar.
Alguns desses elementos estão presentes na escola e concorrem para o desenvolvimento efetivo do trabalho pedagógico. Elementos como […] atendimento às necessidades educacionais especiais; prática avaliativa coletiva da escola; composição do corpo docente e plano de acompanhamento de cada profissional; condições de trabalho e motivação dos professores; recursos físicos e materiais; materiais didáticos e recursos informacionais.
Zabalza (1998, p.162-164) menciona o currículo, a estrutura curricular oferecendo contribuições diferenciadas para o desenvolvimento da autonomia socio-moral nas crianças pequenas. Destaca que as aprendizagens devem ir além da leitura, escrita, matemática, enfatizando a moralidade construída num quadro de referências para entender o que precisa para si e para os outros, entendendo seus direitos e deveres para exercer a responsabilidade social. Para Piaget e Vygotsky as crianças precisam de contextos de vivências nas quais as questões de justiça e obrigações sejam sentidas, vividas, refletidas na ação cotidiana. Os componentes da atmosfera institucional que conduza ao surgimento social da moralidade passam pela relação adulto-criança, relações entre os pares, das respostas que as crianças recebem em relação às suas necessidades e interesses, o nível de responsabilidade individual e coletiva que se pratica, o nível de respeito que se perpetra em relação às realizações da criança, ao estímulo à experimentação de estratégias e resoluções de conflito. As situações estão baseadas em divisão de poder como sendo básica para o surgimento da moralidade.
Aos gestores da escola cabe planejar, coordenar, controlar e avaliar os processos e atividades que se desenvolvem na escola de maneira colegiada e cooperativa, verificando os resultados alcançados frente às metas estabelecidas. Para tanto, é necessário ter a habilidade de integrar e motivar toda a equipe para garantir o êxito de tais processos e isso significa que a liderança exercida pelos gestores irá influenciar na condução dos processos de trabalho e, consequentemente, nos resultados esperados para a escola.
Por fim, é imprescindível não esquecer que o planejamento e a avaliação devem ser realizados em fina sintonia com os preceitos da gestão democrática. Para tanto, é primordial que se conheça a cultura organizacional da unidade escolar, constituída do conjunto de valores, princípios, crenças e símbolos sobre os quais todo o trabalho educativo está assentado. Somente conhecendo as formas como a escola pensa e age será possível consolidar o processo de planejamento
O que deve ser planejado e avaliado na escola?
Alguns autores destacam a importância de o gestor coordenar o trabalho da escola a partir de duas instâncias ou dimensões fundamentais para as quais se dirige o seu trabalho: uma interna e outra externa. Nesse sentido, os processos de planejamento e de avaliação deverão contemplar a escola em seu contexto. Ou seja, é preciso considerar a escola como instituição que desenvolve uma cultura própria, que influencia e é influenciada pela cultura geral. Assim, as duas dimensões mencionadas deverão ser cuidadosamente analisadas no momento de realização do planejamento e da avaliação escolar.
A dimensão externa tem relação com a função social da escola de propiciar uma educação de qualidade que permita a socialização de um saber historicamente produzido, preparando para o exercício da cidadania. Nesse sentido, o gestor deve procurar conhecer bem a comunidade em que a escola está inserida, suas condições, necessidades e aspirações. Deve ainda estimular a comunidade a apropriar-se da escola como um bem público, participando das suas atividades, colaborando no que for possível para que a instituição escolar possa cumprir bem o seu papel. Para isso, deve manter uma relação de conhecimento e diálogo com as famílias dos educandos, com as lideranças comunitárias, com o comércio local, com outras escolas e instituições, de modo a criar um contexto de apropriação da escola como um equipamento comunitário de alta relevância. Nesse sentido, é fundamental cultivar a transparência da gestão com a divulgação de ações, projetos, custos e necessidades.
Outro nível de sua atuação na dimensão externa está na forma como se estabelece a relação com o órgão gestor da educação do município, a Secretaria de Educação ou equivalente, com os conselhos sociais da área de educação e com as instâncias educacionais do estado presente no município. Essas relações devem ser conduzidas de forma a propiciar fluxos de informações e colaborações que tornem a escola uma instituição viva, presente no seu espaço. Esses níveis de atuação da dimensão externa devem ser contemplados tanto no planejamento como na avaliação da organização e gestão da escola.
A dimensão interna, por sua vez, refere-se à organização e à gestão dos espaços e das atividades escolares propriamente ditas, de modo que os vários segmentos (funcionários, educandos, professores, corpo técnico pedagógico e colegiados escolares) da escola possam ter condições iguais de expressar suas opiniões, questionando, analisando, avaliando e decidindo. Em suma: participando democraticamente da gestão.
Nesse sentido, é importante que se instale, na escola, a cultura de avaliação permanente de suas atividades, ou autoavaliação, com o diagnóstico das principais causas dos resultados satisfatórios ou insatisfatórios do trabalho realizado, o que deverá fundamentar o planejamento dos objetivos e das metas a serem alcançadas. Esse processo ajudará a escola a enfrentar problemas como: falta de participação da comunidade escolar nas ações propostas; ausência de um plano de gestão que revele propostas suficientemente coordenadas e articuladas; baixo nível de conscientização dos vários segmentos sobre a importância e papel social da escola; problemas éticos e de autonomia intelectual; desmobilização e insatisfação dos profissionais nela lotados; insuficiente clareza de orientações pedagógicas que contribuam para lidar com dificuldades decorrentes de problemas sociais graves que afetam a clientela da escola; fatores que influenciam a credibilidade da escola e os percentuais de evasão e repetência para as crianças mais velhas ou jovens e adultos. O processo de busca de qualidade não pode ser um processo solitário. Os educadores têm o direito de serem apoiados no dia a dia das práticas educativas, o que beneficia a criança, os responsáveis e a comunidade.
Não se deve esquecer, ainda, que é fundamental assegurar a participação efetiva da comunidade escolar nos projetos desenvolvidos na e pela escola, de forma que seja possível verificar os resultados e benefícios alcançados através do esforço coletivo.
Quais dimensões do trabalho da escola devem ser consideradas no planejamento e na avaliação?
Brenda Fyfe (Edwards et al., 2016, p.273-274) destaca a relação entre documentação e avaliação, considerando a necessidade de tornar visíveis as aprendizagens, sendo relembradas, revisitadas, reconstruídas e reinterpretadas como base para tomadas de decisões. A documentação pedagógica pode revelar as habilidades e o conhecimento das crianças, mas, para a abordagem Reggio Emilia, a documentação aprofundada pode revelar os caminhos que os educandos estão percorrendo para aprender e, os processos que estão desenvolvendo em busca de significados. A documentação como ferramenta ajuda professores e crianças a refletirem sobre experiências posteriores, a escutarem ideias, teorias, reflexões e entendimentos uns dos outros, e então, tomar decisões sobre os caminhos da aprendizagem. Os registros trazem traços de aprendizagem que podem ser interpretados em coletivos.
Se pensarmos em avaliação formativa e somativa (produzida no final de uma experiência), a pedagogia da escuta está ligada à avaliação formativa, em que o educando participa do seu processo avaliativo, observando aprendizagens, tornando-as visíveis, permitindo maiores compreensões sobre o que aprende. Os registros, imagens e fotos são examinados por equipes de professores com pais e responsáveis, são também compartilhados com as crianças para que examinem suas experiências, ações e comentários. As reflexões das crianças são apoiadas pelos professores com perguntas investigativas, encorajamento para levar ideias adiante, ou desafios para rever ideias e esclarecê-las aos demais colegas. A documentação as ajuda a revisitar e repensar o seu trabalho e suas ideias, permitindo a autoavaliação. Desta forma, o aprendiz é um participante ativo do processo avaliativo e a escuta torna visível os seus significados, o que leva os adultos a manterem a mente aberta para ver além da aprendizagem planejada.
A avaliação institucional ou administrativa visa a obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre educandos, professores, estrutura organizacional, recursos físicos, materiais e didáticos, as práticas de gestão, dentre outros aspectos. Porém, os formulários comumente usados no final do ano, nem sempre permitem a expressão dos avaliadores, tendo emojis como símbolos a serem assinalados, sem que despertem desejos de tecer comentários e diálogos. É importante pensar este processo avaliativo como um questionamento colaborativo, um processo de pesquisa contínua e, isso requer um novo padrão de organização e comunicação com as crianças, pais, colegas e professores, mudando o paradigma para a atividade colegiada ou de grupo. Segundo Malaguzzi (Fyfe, 2016, p. 280), essa mudança representa uma quebra deliberada da solidão e do isolamento profissional e cultural tradicional dos professores. A pesquisa colaborativa permite pensar sobre o que é aprendizagem significativa, abrindo-se para outras rotas de aprendizagem, em vez de analisar somente objetivos pré-determinados. É preciso criar outras estruturas para avaliar e desconstruir formas avaliativas e abrir-se a conversas e diálogos, valorizando essas vozes na composição do trabalho.
A avaliação acadêmica tem por objetivo produzir informações sobre os resultados da aprendizagem, em função do acompanhamento e revisão das políticas educacionais implementadas, com vistas à formulação de indicadores de qualidade dos resultados educacionais. A experiência educacional é melhor avaliada por meio da documentação produzida e analisada de maneira colaborativa. Também é útil entre escolas, reconectando experiências e aprendizagens das crianças de um ano letivo a outro, de maneira a buscar aprofundamentos. As equipes devem reservar bastante tempo para refletir conjuntamente sobre o que a documentação revela a respeito das ideias, interesses, sentimentos, opiniões, suposições ou teorias das crianças. A partir dela os profissionais podem reformular hipóteses, previsões e projeções sobre futuras experiências de aprendizagem que deem continuidade ao raciocínio das crianças. Para Rinaldi, (Edwards Et al., 2016, p. 282), avaliar juntamente com as crianças permite desenvolver teorias que atribuam sentido aos eventos e objetos do seu mundo.
O que deve ser avaliado?
Dimensão pedagógica. Essa dimensão diz respeito às ações e procedimentos diretamente associados à aprendizagem dos educandos: gestão do currículo, tempo pedagógico, equipes docentes, formação continuada, recursos didáticos e desenvolvimento de projetos educativos.
Dimensão política. Os processos políticos englobam a formulação de mecanismos de participação da comunidade local e escolar na construção e consolidação de um projeto político-pedagógico, bem como a implementação das relações da escola com o sistema de ensino e com a sociedade.
Dimensão administrativo-financeira. Os processos administrativos tratam do desenvolvimento das condições para a concretização da proposta educativa da escola, envolvendo a gestão financeira e do patrimônio da escola, manutenção e conservação do espaço físico e administração de pessoal (docentes e funcionários) da escola.
Olhando para 2026
Uma vez reconhecida a importância do processo de avaliação da escola, agora é o momento de saber quais os produtos a serem gerados no processo de planejamento. Ou seja, os instrumentos que a escola deve elaborar para concretizar ou materializar o processo de planejamento. Para delinear o produto que resultará do processo de planejamento, é preciso observar uma lógica que é comum a toda atividade de planejamento:
| Construção do diagnóstico da escola, ou seja, coleta de informações sobre a realidade ou situação que se quer transformar, ou problemas que precisam ser superados. Com base nos objetivos traçados no projeto político-pedagógico da escola, as informações e os dados coletados são analisados e interpretados. Diante do panorama traçado, são identificadas as prioridades para que se possa tomar as decisões, traçar as metas, definir as ações e as estratégias mais eficazes para produzir as mudanças necessárias ou desejadas. Por fim, elabora-se um plano de ação, projeto ou plano de trabalho, que irá materializar o processo de planejamento realizado pela escola e que reflete o seu projeto político-pedagógico. Ou seja, o instrumento gerado nesse processo irá operacionalizar aquilo que foi instituído e está consolidado no projeto político-pedagógico da escola. |
Em geral, durante a semana pedagógica inicial as atividades não contemplam a contento as ações de planejamento anual. A escola, muitas vezes, inicia o ano letivo sem avaliar os resultados obtidos no ano anterior e sem conseguir construir um plano de trabalho que irá nortear as suas ações no âmbito político, pedagógico e administrativo-financeiro, pois foca as questões de acolhimento e adaptação de todos. Em momento oportuno reúne a comunidade escolar e procede à avaliação e replanejamento, a revisão do PPP. O importante é que a escola exercite permanentemente as atividades de planejamento e avaliação para que não perca de vista as suas reais necessidades e o potencial dos seus atores seja subutilizado. Uma prática já vista é ter um PPP impresso com várias anotações para serem retomadas nos momentos avaliativos, e a projeção em tela destes aspectos.
Geralmente, o produto gerado a partir do planejamento é o plano anual de trabalho. O plano não deve ser encarado como um instrumento que a escola faz para cumprir as exigências do sistema ao qual está integrada, arquivando-o logo após concluí-lo. Esse instrumento deve ser fonte de consulta e inspiração para que se possa construir outros instrumentos de apoio ao desenvolvimento do trabalho escolar, como: plano de ação do professor; plano de ação da coordenação pedagógica; plano de ação dos funcionários da escola e o plano de ação da direção/equipe gestora. Todos esses instrumentos devem garantir que a organização e a gestão escolar sejam orientadas numa perspectiva sistêmica, ou seja, cada segmento da escola se reconheça e reconheça o seu trabalho como parte de uma proposta global, construída de forma coletiva e com base em objetivos comuns.
O planejamento é um processo de construção desenvolvido numa perspectiva democrática e participativa, que contribui para a organização e gestão escolar, resta-nos ainda definir quais as suas funções. Libâneo (2004, p. 150) considera que o planejamento atende, em geral, às seguintes funções:
Diagnóstico e análise da realidade da escola: busca de informações reais e atualizadas que permitam identificar as dificuldades existentes e as causas que as originam, em relação aos resultados obtidos até então.
Definição de objetivos e metas que compatibilizem a política e as diretrizes do sistema escolar com as intenções, expectativas e decisões da equipe da escola.
Determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas em função de prioridades postas pelas condições concretas e compatibilização com os recursos disponíveis (elementos humanos e recursos materiais e financeiros).
| Principais passos do planejamento |
| 1º passo: Descrição do contexto escolar 2º Passo: Identificação dos desafios e problemas 3º Passo: Definição dos objetivos, estratégias e metas |
| 1º passo – Descrição do contexto escolar |
Diagnóstico das principais características da organização e da gestão escolar O diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações que irão possibilitar uma visão global das necessidades e problemas enfrentados pela escola. Deve ser elaborado de tal forma, que favoreça, com base no conhecimento das características da comunidade escolar, suas expectativas e necessidades em relação ao processo de ensino e de aprendizagem (instrumentos avaliativos) a escolha de alternativas de solução para os problemas identificados. Os dados a serem levantados são de natureza qualitativa (o que as crianças estão aprendendo; como tem sido a formação continuada; de que forma a comunidade tem participado das atividades da escola, etc); e quantitativa (qual o percentual da não aprendizagem pelas crianças; qual o número de atividades realizadas pela escola e qual o percentual de participação da comunidade). A seguir, são indicados alguns aspectos imprescindíveis ao diagnóstico do plano de trabalho da escola: Caracterização sociopolítica, econômica e cultural da comunidade onde a escola se insere e da comunidade escolar. Estrutura física, mobiliário e material: prédio escolar; salas de aula; sanitários; áreas de lazer, esporte e recreação; laboratórios; bibliotecas; bebedouros; carteiras; mesas; utensílios de cozinha; computadores; televisor; vídeo; cartazes; mapas e outros recursos didático-pedagógicos. Recursos financeiros: verbas de que a escola dispõe; formas de efetuar as despesas e de controle. Pessoal: número de professores, auxiliares, cuidadores, funcionários e especialistas. Organização geral da escola: organograma, atribuições e funcionamento dos setores, distribuição de horários, enturmação, número de educandos por sala, aspectos administrativos gerais. Secretaria escolar: organização e funcionamento, registros, documentação dos educandos, etc. Relacionamento com o órgão central da educação. Participação da comunidade e das famílias: Conselho Escolar, Associação de Pais e Mestres, reunião de pais; relacionamento da escola com órgãos, instituições, ONGs, etc. Sistemática de produção e organização de dados e de estatísticas educacionais. Convivência na escola. Instrumentos de gestão e de organização do trabalho pedagógico (Regimento, Plano Nacional, projeto político-pedagógico, planos de contextos pedagógicos para desenvolvimento global, plano literário,…). O desempenho dos educandos: evasão, dificuldades e intervenções já feitas.Participação dos educandos na gestão escolar. Além desses, muitos outros aspectos podem ser levantados e analisados para que se tenha um retrato fiel do que é a escola. Um diagnóstico preciso e consistente permitirá à equipe gestora saber onde está pisando para poder traçar os caminhos para onde quer chegar. |
| 2º passo – Identificação dos desafios e problemas |
A partir do diagnóstico, do retrato da realidade da escola traçado a partir das características levantadas no item anterior, deve-se buscar identificar os principais desafios e problemas que o contexto escolar revela. Os desafios e problemas consistem em situações que se constituem em entraves para o pleno funcionamento da escola, que levam a buscar uma situação mais satisfatória. A depender do número de problemas que a escola enfrenta, é preciso estabelecer prioridades. Nesse sentido, tornam-se prioridades os problemas cuja natureza e desdobramentos influenciam mais diretamente nos resultados da aprendizagem dos educandos. O que foi avaliado no final do ano anterior vem à tona para compor este momento. |
| 3º passo – Definição dos objetivos, estratégias e metas |
Uma vez que se conhece a realidade que se quer transformar e os desafios ou problemas a serem superados, resta, então, traçar os objetivos, estratégias e metas para a operacionalização do plano de trabalho. De maneira simples, esses elementos podem ser definidos da seguinte forma: Os objetivos são indicações da situação ideal a ser atingida para superação de problemas identificados, elaborados, cuja formulação deve utilizar verbos que expressam ação (Exemplo : reduzir os altos índices de evasão, atualizar o regimento escolar, elaborar uma sistemática de informações educacionais, colocar em prática o uso da documentação pedagógica como instrumento avaliativo, etc ). As estratégias necessárias para se atingir cada um dos objetivos estabelecidos. As estratégias são formas de intervenção a serem utilizadas durante a execução de um plano, ou seja, são as alternativas de solução criadas em coerência com os desafios e problemas identificados. (Exemplo: criação de grupos de atendimento a educandos com dificuldades de aprendizagem no contraturno escolar; construção de planos individuais de acompanhamento com os educadores das crianças com necessidades específicas, etc). As metas indicarão se os objetivos traçados foram atingidos ou não. As metas são os resultados a serem obtidos, considerando a quantidade e o tempo. (Exemplo: qualificar os instrumentos avaliativos das aprendizagens das crianças e dos educadores, …) É importante lembrar que todos os elementos do plano de trabalho devem estar perfeitamente articulados. Isso significa que, para determinado problema identificado a partir do diagnóstico, deve-se buscar um objetivo correspondente, uma estratégia que represente uma possível alternativa de solução para tal problema e uma meta que indique o quanto e em quanto tempo se conseguiu alcançar o objetivo previsto. Por exemplo: um diagnóstico realizado pela equipe gestora de uma escola levou à visualização da problemática da prática numa cultura de desvalorização dos saberes e potenciais das crianças. Perceberam que os adultos faziam as coisas por elas, apoiavam-se em práticas tradicionais de atividades sem intervenções, não elaboravam planos de contextos e ambientes educadores, registravam de formas mecânicas e pouco reflexivas, não usavam portfolios, adotavam práticas de compensação com elogios e poucas intervenções e perguntas que desafiassem, entre outros. Daí, o problema foi formulado: Como reduzir essa prática baseada na eficiência, produtividade, reforço positivo ou prática que negligencia saberes infantis? O objetivo traçado para sair dessa situação foi repensar as concepções presentes nas práticas educativas através de cenas do cotidiano, analisando e refletindo o PPP, em busca das transformações e consciência dessas práticas. Concepções de criança, infância, educação, sociedade, etc. presentes no cotidiano. A equipe gestora, após a análise, definiu como estratégias possíveis para solucionar o problema encontrado elaborar situações de reflexão, registros e retomadas das concepções presentes no cotidiano escolar de maneira coletiva e também individualizada. Após definir as estratégias foram estabelecidas as seguintes metas: observar as práticas através de construção dos instrumentos metodológicos construídos pelos educadores e formadores buscando aperfeiçoamento e articulação sistêmica dos instrumentos. Uma vez definidos todos esses elementos, fez-se necessário que fossem elaborados os mecanismos e instrumentos de acompanhamento e avaliação da implementação do plano de trabalho. No plano de trabalho, deveriam constar as várias formas e instrumentos que a equipe gestora achava possíveis e pertinentes à realização das ações previstas. É preciso criar uma sistemática de acompanhamento da realização do plano de trabalho e avaliação permanente, utilizando-se de instrumentos que permitam a obtenção de dados que possam ser analisados e utilizados para reorientar o planejamento da escola, em função dos objetivos e metas previstas no plano de trabalho. Para finalizar, reiteramos que a importância maior dos processos de planejamento e avaliação consiste nas suas possibilidades, quando levados a sério, de garantir uma melhor organização e gestão, assegurando à escola a qualidade do trabalho que desenvolve e o cumprimento da sua função social. Cabe refletir: Em que medida o processo de planejamento, na sua escola, contempla os passos apresentados? Quais os desafios da equipe gestora frente a esta proposta? Referências EDWARDS, Carolyn; GANDINI,Lella; FORMAN, George. Revisão Maria Carmen Silveira Barbosa. As Cem Linguagens da Criança – a experiência de Reggio Emilia em transformação. – Porto Alegre: Penso, 2016. COSTA, Sinara Almeida; MELLO, Suely Amaral.(org) Teoria Histórico Cultural: conversando com professoras e professores. Curitiba, PR: CRV Editora, 2017. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: Teoria e prática. Editora Alternativa, 2004. LIMA, Elvira Souza. Fundamentos da Educação Infantil. Editora Inter Alia, São Paulo, 2016. MARIOTTI, Ana Teresa Gavião A.M. et al. (org) Documentação Pedagógica: caminhos para a continuidade e identidade da escola. Jundiaí, SP: Ed. In House, 2019. PARO, Vitor Henrique. Gestão Escolar, Democracia e Qualidade de Ensino. Editora Ática, 2007. REGGIO CHILDREN. Uma viagem nos Direitos das Crianças. Solisluna Editora. São Paulo: Selo Emília, 2023. ZABALZA, Miguel A. Qualidade em Educação Infantil. Artmed, 1998. |
Texto original ofertado às equipes gestoras pela Orientadora Pedagógica Mara Lúcia Finocchiaro, 2013, revisado em 2026.


